segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Novo regime, velha história

  Nas últimas semanas um assunto tem tomado conta dos noticiários automotivos e econômicos, o novo regime automotivo. Criado no intuito de proteger a economia nacional e alavancar o desenvolvimento tecnológico dos carros fabricados no Brasil terá validade de 4 anos, 2013-2017, esse regime promete a manutenção da queda do IPI, (imposto sobre produtos industrializados), para as montadoras que colocarem em seus produtos novas tecnologias, maior numero de peças nacionais e que reduzirem o consumo de seus motores, além de que segundo o governo o preço dos veiculos no Brasil vai cair com adoção dessas medidas, pois será estimulada a concorrência entre as montadoras aqui instaladas e aquelas que brevemente passarão a "fabricar" em solo nacional.
  Mas será esse novo regime essa maravilha toda? A resposta não é muito complicada, mas não é algo simples de intender. A importação de veículos sera prejudicada, o plano prevê criação de cotas para veículos importados além de aumentar o IPI sobre os mesmos, mas fica uma dúvida como aumentar o imposto de produção de um caro que vem de fora, simples, nada mais é do que uma forma de dobrar o imposto de importação que é de 30% sobre o valor do veículo, mais os 30% que será o valor do IPI, isso sem contar o transporte e claro o lucro absurdo que as importadoras independentes cobram e com certeza vão achar uma brecha para que aumente.
  Bom, o governo diz estimular a concorrência entre as montadoras instaladas no país afim de reduzir preços e tornar os produtos mais competitivos, veja bem, quem disse isso foi o mesmo governo que atendeu o pedido dessas mesmas empresas quando essas viram sua fonte de lucros exorbitantes ameaçadas por veículos importados, completos e em alguns casos de tecnologia superior do que o que temos por aqui, no caso da criação das cotas de veículos vindos principalmente de países como México e Coréia do Sul. Mas uma vez esse protecionismo ridículo vem acabar com o direito de escolha do brasileiro. 
  Se nossa realidade hoje é essa de veículos defasados, sem o minimo de segurança e com altos preços é continuada com uma quantidade significante de montadoras instaladas no país, imagine com um pequeno desenvolvimento tecnológico, a coisa realmente tende a piorar, ou simplesmente não aderem ao plano e não levam a manutenção do IPI reduzido, ou simplesmente inventam algo "feito nas coxas" e tome aumento para o consumidor final. Outro ponto importante é que o plano é basicamente o fechamento dos portos de forma velada, assim como tivemos durante o período da Ditadura Militar, onde a importação era praticamente inexistente, e muito dos motores que temos nos carros novos datam ainda dessa época ou são motores defasados em seus mercados de origem.
  Redução de consumo de combustível vem a ser outro assunto polemico quando se trata de Brasil, o sistema flex, se mostrou um verdadeiro fiasco, os motores tem taxa de compressão básica de um motor para queimar etanol, na maioria do país sai caro abastecer com esse combustível que tem seu preço controlado pelas usinas produtoras além de ser um aditivo presente na gasolina, falando em gasolina, nossa bela gasolina apelidada como "gasolixo" por um canal no youtube. Todos sabem que atualmente a palavra chave quando se trata de economia de combustível e redução de poluentes é a injeção direta de combustível, mas o sistema é completamente incompatível com com gasolina de baixa qualidade, diga-se alto teor de enxofre, sem contar com o batismo da gasolina dita de qualidade com o álcool e outras porcarias, isso quando o posto não faz o belo favor de piorar tudo com solventes.
  Antes de colocar em vigor um plano radical como esse, deveria ser feita uma investigação sobre o custo dos carros no país, ao menos uma melhora na nossa gasolina, quanto ao preço poderia ficar na faixa que está, já que gasolina pura rende maior autonomia, e o mais importante o fortalecimento das montadoras instaladas no país a partir da concorrência com outros mercados e não com todo esse protecionismo, fazer de tudo consequência e não atender a exigências, e o mais importante, dar opção ao consumidor de carros movidos a gasolina, etanol ou flex, afinal ninguém deveria ser obrigado a rodar com gasolina em um motor a álcool.
  Finalizando, não adianta ter tecnologia de ponta nos carros nacionais, se nem mesmo as concessionarias estão aptas para resolver os problemas dos motores atuais, um caso que comprova isso são os Fiats Tempra e Marea, onde os motores exige mão-de-obra especializada e ainda hoje poucos profissionais conseguem lidar com esses motores, além do mais, o país preconceituoso, até hoje motor de 16 válvulas  pasmem é visto como vilão...

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