domingo, 10 de novembro de 2013

Brasileiro apaixonado por carros, será?

DKW Vemaguet, oficialmente o primeiro carro
fabricado no Brasil (http://www.carroantigo.com/)
Romisseta, nosso primeiro carro nacional
  Não creio que o brasileiro seja um verdadeiro apaixonado por carros como dizem por aí. Existem sim aqueles que têm um amor incondicional com a maquina, mas a grande maioria não busca um carro por suas qualidades e sim pelo status que o modelo escolhido vai lhe conferir. O mercado automotivo brasileiro é cheio de particularidades, é um mercado manipulável, que sofre diversas mutações seguindo o gosto do que as montadoras escolhem e a grande maioria aceita, nem mesmo a Isetta , Romisetta em nosso território não foi considero e por muitos não é ainda considerado o primeiro carro de produção nacional pelo fato de na época não ter duas portas e não carregar passageiros amargou à não receber o merecido titulo, ficando para a perua DKW.


Chevrolet Caravan, perua apenas em 2 portas (http://salaodocarro.com.br)
Da década de 1970 até a primeira metade dos anos 1990, o brasileiro não costumava ver com bons olhos os carros de 4 portas, talvez a busca pela esportividade ou evitar de ser confundido com um taxi fez com que nosso mercado ganhasse versões exclusivas em 2 portas, foi assim por exemplo com Santana, alguns outros carros nem ao menos tiveram versão de 4 portas, caso das peruas Caravan e Parati, essa última ganhando 2 portas apenas em 1997. O ponto crucial em questionar o gosto que rege o consumidor brasileiro é ter que engolir que hoje predomina em nosso mercado versões 4 portas, as opções com 2 portas são a cada dia mais escassas e mesmo hatchs pequenos vendem muito mais na versão com entradas extras, como seria bom ver mais Golfs e Polos com 2 portas, nosso Gol ganhou a versão 2 portas, é um carro bonito e com um ar um pouco mais esportivo, mas o mercado exige carros com maior comodidade na hora de embarque/desembarque, na verdade é tudo questão mercadológica e as cores por onde andam, nosso transito é chato e monótono nos dias atuais onde predomina preto e prata, se for pra arriscar outra cor o vermelho ainda é aceito, saudades de uma época que não vivi de trafego colorido e carros com desenhos muito mais inspirador.
Encontros de carros antigos mostram como as ruas eram mais coloridas antigamente (http://www.jornaldebeltrao.com.br)
O direito de escolha, que acabou com a escolha racional
(http://bestcars.uol.com.br/)
  Hoje sentimos o efeito de uma nova onda mercadológica estranha no mercado automotivo nacional, claro ainda existe o IPI reduzido que fez os preços e os lucros subirem, mas não é esse o assunto a ser abordado. Quantos carros familiares no estilo perua você tem visto nas ruas? Pois é, as SUV parecem cada vez mais dominantes, a única perua fabricada no Brasil que ainda resiste é o Palio Weekend em sua versão Adventure, tentativa de ser SUV, os carros com estilo perua privilegiam o espaço para a bagagem se sacrificar a dirigibilidade mas o mercado não as aceita, afinal não devemos comprar um carro por nosso gosto pessoal, mas sim pelo o que o mercado enxerga com bons olhos, afinal o que conta é a hora da revenda e não o prazer e as alegrias que o carro certo pode lhe entregar, nada de cores chamativas, a compra de um carro hoje não é baseada no gosto pessoal mas no gosto do mercado, mas será que todos realmente curtem o carro que tem ou buscam por status. Outra coisa que tem incomodado a muitos e poucos admitem são os carros flexíveis, aqueles que rodam com gasolina ou etanol e qualquer mistura desses 2 combustíveis, em poucos estados brasileiros o combustível vegetal é vantajoso e nos que são na época de entressafra é um terror, os preços sobem e consequentemente aumenta a procura por gasolina, gasolina essa que contem até 25% de etanol, realmente os carros flex são mais uma jogada de marketing que virou regra, um carro flex abastecido com gasolina sempre terá o consumo superior a um carro programado para rodar com gasolina apenas, fato simples carros flex utilizam basicamente um motor de um carro a álcool, fato simples, taxa de compressão elevada e propensão a detonação com gasolina, particularmente prefiro os mono combustíveis.


  Não apenas em relação ao gosto por automóveis, mas o brasileiro deveria ter mais personalidade em suas escolhas, o senso comum já chegou a um ponto em que os que opinam ou escolhem o diferente são vistos como loucos, mas a maior loucura de uma sociedade é se levar pela opinião dos outros e do mercado, quem sabe um dia veremos novamente peruas, hatches esportivos de 2 portas e mais cores em nossas ruas, é apenas questão de perder esse costume do politicamente correto e do senso comum que assola até mesmo o meio automotivo, mas me conforta saber que lá fora existem pessoas que ao menos em partes concordam com aquilo que aqui eu disse. 
Golf IV 2 portas, poucos vendidos no Brasil, muito interessante e mais esportivo que o convencional 4 portas (http://www.speedhunters.com)

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