sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

2013: Um ano de despedidas.


 
Todos os anos modelos de automóveis são descontinuados, muitos fazem saída à francesa e quando nem percebemos já não estão mais em linha, mas neste ano de 2013 três modelos deixaram o mercado de forma anunciada, um alívio para os céticos obcecados por segurança e um enorme sentimento de o fim de uma era e de bons modelos para quem olha o mundo automotivo com outros olhos, olhos que se emocionam com “caixas” de metal, um motor e quatro rodas.
  Para começar esta história vamos refletir sobre a obrigatoriedade de airbag e freios com ABS, às pessoas comuns festejam a obrigação de que todos os carros que saírem das montadoras a partir de janeiro próximo deveram contar com os dois itens de segurança, o trânsito brasileiro é um dos mais violentos do mundo e mata mais do que muitos conflitos armados, algo em torno de 40 mil vidas são perdidas anualmente em nossas estradas, mas que diferença esses novos itens obrigatórios vão fazer nesses números alarmantes? Basicamente nenhuma, primeiramente a conservação e o projeto de nossas estradas na maioria das vezes são falhos com curvas mal projetadas, asfalto ruim e falta de sinalização. Em segundo plano temos o item decisivo em acidentes o fator humano, além de falho o homem tem o pensamento de que ele esta livre de qualquer falha, mas distração, sono, efeitos de drogas e até mesmo o excesso de confiança geram acidentes, o cinto de segurança que tem sua eficiência comprovada é deixado de lado e abusos de velocidade em vias não compatíveis são fatores que vêm da nossa educação de transito falha, afinal você aprende a passar em um exame e não a dirigir, se bolsas infláveis salvassem realmente vidas carros com o dispositivo não matariam e curiosamente hoje vem aumentando o número de acidentes fatais envolvendo carros que contam com o equipamento, curioso, mas as pessoas tendem a esquecer que atenção, distancia do veículo a frente, manutenção do veículo, cinto de segurança e cautela são os maiores equipamentos de segurança, sendo que todos eles têm de alguma forma o envolvimento do fator humano de alguma forma.
Kombi brasileira poucas modificações em relação a original.
 Os carros que saem de linha no dia 31 de dezembro possuem projetos antigos, mas é inegável a genialidade desses projetos, a começar pela Kombi, 56 anos interruptos de produção no Brasil sem grandes alterações no projeto, por mais que as pessoas enxerguem apenas seus defeitos suas qualidades praticamente os anulam é um veículo versátil que pode ser adaptado às mais diferentes necessidades, seja para transporte de cargas, passageiros ou pequenos empreendedores que fazem da velha perua seus estabelecimentos comerciais móveis e com garantia de bons retornos financeiros, não há como negar que a Kombi resistiu ao tempo pela genialidade de seu projeto.

Kombi Last Edition, despedida após 56 anos.
Gol geração II, modificações o transformaram em "GIV".
  Ainda na Volkswagen, o Gol de segunda geração esta prestes a deixar o mercado, seu projeto não é tão antigo quanto o da Kombi, poderia receber airbags, a primeira reestilização do Gol “bolinha” conhecida por geração III oferecia o equipamento, mas acontece que com a chegada da “IV geração” o painel foi simplificado e não é mais capaz de comportar o dispositivo, como os custos de voltar com o painel anterior, o envelhecimento do projeto perante a concorrência e a chegada do UP ano que vem decretam a “morte” do Gol de segunda geração e mesmo com as ligações que tinha com a família BX, outro marco do fim de sua produção é que não teremos mais um carro de tração dianteira e motor longitudinal em produção, o Gol de segunda geração por fim deixará a linha prestes a completar 20 anos de carreira.
Fiat Uno original, projeto inovador para época.

  Outro modelo que deixa o mercado e que fará muita falta é o Fiat Uno original atualmente vendido como Mille, nome que adquiriu no inicio dos anos 90 em alusão à motorização de 1000 cilindradas, o Uno sempre foi aquele carro racional, compacto, espaçoso e ligeiro no transito urbano, suas linhas retilíneas foram frutos da prancheta de Giorgetto Giugiaro e foi responsável por desenhar veículos icônicos como Bugattis, Alfas Romeo e modelos da Maserati e também modelos mais simples como o próprio Uno e Golf, Passat e Scirocco de primeira geração. O Uno vendido no Brasil trás diferenças do modelo italiano, o capô dianteiro envolvente, o estepe viajava junto ao motor e na suspensão traseira herdada do 147 (127) de feixe de mola único transversal, mesmo com todas as diferenças era basicamente o mesmo carro, o Uno teve uma leve reformulação de estilo em 2004, as linhas básicas eram as mesmas mas as modificações na dianteira e na traseira foram muito polêmicas mas aceitas com o tempo e agora no final de 2013 deixa definitivamente o mercado após 29 anos de produção ininterrupta, o nome Uno não morreu, fica agora ao carro lançado em 2010 tentar igualar o sucesso de seu sucessor com o qual vem convivendo nestes últimos anos.


  Esses três modelos podem ser obsoletos na ótica do mundo contemporâneo e quando comparado com os carros atuais, não são carros totalmente inseguros, são capazes de andar, proteger ocupantes em pequenas colisões (exceto a frágil seção dianteira da Kombi), e são eficientes em suas categorias, esses automóveis não deixam de ser fabricados por falta de demanda, muito pelo contrário vendem bem ainda hoje, o certo é que a paranoia por segurança e uma lei os tiram do mercado, modelos guerreiros que agora entram de vez para a história, bons carros que ultrapassaram décadas e tornaram-se verdadeiros best-sellers e que não terão substitutos com custo benefício atraente como os que eles ofereciam, descanse em paz velha senhora Kombi, simples e despojado Fiat e por fim Gol segunda geração, jamais serão esquecidos pelos verdadeiros apaixonados por carros.  

Grazie Mille (Obrigado Mille) versão especial de despedida.

2 comentários:

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