quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Chevrolet Camaro 1967-1969


  Camaro, alguns dizem ser uma gíria francesa, algo como amigo, companheiro, mas entre o pessoal de vendas da General Motors passou a chamar assim "um pequeno animal devorador de cavalos mustang." O sentido desta frase era como a Chevrolet queria posicionar seu cupê pequeno para os padrões da época faria com o concorrente, o Ford Mustang que foi lançado em 1964 na Feira Mundial de Nova York. Com o sucesso da concorrência, em 1966, foi apresentado o Camaro, nas versões hard-top (cupê) e conversível. O design era basicamente o mesmo do concorrente, capô longo, traseira curta, mas o Camaro tinha um detalhe no para-lama traseiro que ficou conhecido como estilo garrafa de Coca-Cola, o desenho era mais dinâmico e também muito elegante.
Camaro SS 1967.
  Apenas estilo não era suficiente para um pony-car, era preciso ter algo mais a oferecer sob o capô, e no e existiam muitas opções, os modelos básicos contavam com motores de seis cilindros em linha, esse motor deslocava 230 pol³, semelhante aos motores dos primeiros Opalas, esse motor desenvolvia a potência bruta de 140 cv, havia também o motor de 250 pol³, motor esse que é velho conhecido dos brasileiros eternizado pelo mito Opala 4.1, esse motor desenvolvia 155cv brutos. Mas se a intenção do comprador da época não fossem os passeios tranquilos a bordo de seu Camaro, poderia optar por um motor que é simbolo do mercado norte-americano, o oito cilindros em V, este também disponível em duas versões, o 327 com 5,35 litros com opções de potência de 210 e 275 cv e, o mais que clássico e aclamado 350 de 5,75 litros de cilindrada, disponível também em 2 configurações de potência, 255 e 295 cv. O cambio era sempre automático, preferencia absoluta dos americanos, e haviam duas opções neste item, o Powerglide de 2 velocidades, tradicional em sua época, e o moderno (para os anos 1960 é claro) Turbo Hydramatic de 3 velocidades.
Camaro RS e sua clássica "frente cega", o acessório também era disponibilizado para a versão SS
  Exclusividade era algo presente no Camaro de primeira geração, as concessionárias ofereciam 40 opcionais que, se fossem distribuídos em todas as versões formariam mais de 80 combinações possíveis. O modelo SS (Super Sport), ao contrário do que muitos pensam não era o mais potente, mas sim um pacote estético e dinâmico, capô exclusivo, faixas decorativas, tampa do bocal de abastecimento ao estilo dos carros de competição, suspensão mais firme, pneus e rodas mais largos, basicamente eram os itens que compunham o SS. Na versão RS, eram adicionadas as famosas tampas escamoteáveis nos faróis, grade frontal na cor preta, era possível juntar opcionais das 2 opções de acabamento ao gosto do cliente. Em 1967, nascia a lenda, o Z/28. equipado com um motor V8 de bloco pequeno, deslocava 302 pol³ ou 4,95 litros, este motor desenvolvia 290 cv brutos, era basicamente um 327 com virabrequim de menor curso, como foi produzido para homologação para a categoria Trams-Am e o regulamento limitava a cilindrade do motor em 5000 cm³, o Z/28 contava ainda com transmissão manual de quatro velocidades, freios a disco vindos do Corvette, além de direção com respostas mais rápidas, suspensão mais firme, sistema de arrefecimento de maior capacidade, diferencial mais longo, e opcionalmente podia receber sistema de admissão redimensionado e coletores de escapamento dimensionados. Por fora o capô recebia entradas de ar funcionais, um aerofólio rabo de pato na traseira e rodas de 15 polegadas, o Z/28 não era forte em baixas, mas era um V8 girador e podia ser levado até as 7500 rpm sem problemas.
Z/28 de 1968,  ausência de quebra-ventos e a frente mais clássica para esta versão.
Camaro e Corvette juntos em propaganda de 1968.
  Se o desempenho do carro era algo excepcional, não se podia dizer o mesmo dos freios, com exceção do
Z/28. Com tambores de 240 mm em ambos os eixos, eles eram insuficientes até mesmo para os seis cilindros básicos, em 1968 o problema foi resolvido, sendo adotado como item de série em toda linha o freio dianteiro a disco. No mesmo ano a Chevrolet passava a oferecer o motor de bloco grande, o V8 396 de 6,5 litros, uma resposta a Ford e seu Mustang 390, esse motor contava com versões de 325 e 375 cv. Este ano trazia ainda pequenas alterações de estilo, os vidros dianteiros perdiam os quebra-ventos, a alavanca do cambio automático recebia o clássico formato de alça, os acessórios do RS podiam ser combinados com os das versões SS e Z/28, o acionamento das capas dos faróis passam a ser a vácuo e, o SS ganhava a opção do motor 396 de 350 cv, além do painel traseiro pintado na cor preta. Os amortecedores ganhavam uma carga maior para aliviar as oscilações do eixo traseiro, as versões com motor 396 recebiam o cambio manual de 4 velocidades revisado, o Z/28 trazia a inscrição 302 nos para-lamas dianteiros e alguns modelos saiam das concessionárias com um veneno extra com o uso de novos coletores de admissão e carburador Holley 4150.
Camaro SS 1968, painel traseiro na cor preta e aerofólio "rabo de pato" do modelo Z/28.
  O ano de 1969, era o último ano de fabricação da primeira geração do Camaro, pequenas mudanças foram feitas para continuar a enfrentar o novo Mustang. A cobertura dos faróis na versão RS passavam a ser translucidas, o capô ganhava um ressalto central, as rodas eram mais largas com seis polegadas de tala. Como pistões maiores, o 396 se tornava o 427, um 7,0 litros com bloco de alumínio com código ZL-1 e ferro fundido nos L-72, ambos contavam com cabeçotes de alumínio, estes motores eram limitados a edições especiais como a COPO, disponibilizada para clientes preferenciais, o L-72 gerava 425 cv e tinha o torque máximo de 63,5 kgf.m. Freios a disco no eixo traseiro eram oferecidos como opcionais para as versões SS e Z/28, a direção ganhava assistência hidráulica progressiva e trava anti-furto, o cambio automático TH-350 era disponibilizado para toda linha, exceto o Z/28 que usava cambio manual, os carros equipados com motor 396 recebiam transmissão TH-400, masi robusto para o maior torque, este ano marcou também o fim do motor 327.
Camaro RS de 1969, carroceria com novos detalhes e lente translucida nos faróis marcavam o último ano da primeira geração e do motor 327.
  Em seu último ano, a primeira geração do Camaro foi escolhida para ser o Pace-car nas 500 milhas de Indianópolis, essa geração do Camaro é uma das mais lembradas pelos amantes do modelo, é um esportivo que traz elegância em suas linhas, um carro apaixonante, tanto que serviu como inspiração para o design da atual geração. A Camaro foi um sucesso, e conseguiu cumprir com louvor o slogam da General Motors, "A coisa mais próxima de um Corvette já vista, mas por um preço menor...". Particularmente meu modelo favorito do Camaro, um carro puro, o primeiro de sua linhagem, sucesso absoluto e um eterno clássico.
Camaro conversível. o Pace-Car das 500 milhas de Indianópolis de 1969.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Comentários ofensivos ou que não tenham relação com o assunto do blog não serão publicadas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...