quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Chevrolet Camaro 1970-1973


  Já no início de 1970, era apresentada a segunda geração do Camaro. Essa geração permaneceu no mercado por 12 anos, porém em duas fases distintas, a primeira ficou no mercado até o ano de 1973 por conta de novas normas de segurança que serão abordadas na próxima parte dessa série. O Camaro ficava maior, mais largo e mais baixo, o entre-eixos traziam a mesma medida da primeira geração, seu design era muito mais agressivo, a grande grade dianteira lhe conferiu o apelido de boca de tubarão. Nessa geração também não seria oferecida a versão conversível, ficando apenas o cupê.
Camaro básico de 1970.
  O desenho do carro trazia inspiração européia, os para-lamas dianteiros eram ressaltados e terminam nos fários, estilo parecido com o Jaguar XJ de 1968 e dos Mercedes da mesma época. Direção assistida progressiva e freios dianteiros a disco eram equipamentos de série em toda a linha, na dianteira um sub-chassi aumentava a rigidez da carroceria, o teto contava com duas camadas de aço com isolamento acústico entre elas, as laterais perdiam as janelas traseiras, as janelas das portas eram 20 centímetros maiores do que no modelo interior chegando até o limite da coluna traseira, as portas pesavam 45 kg, graças as barras laterais de proteção, essas portas foram as mais pesadas em um carro da Chevrolet.
A traseira era tão bela quanto a dianteira, seus pares de lanternas redondas remetiam ao Corvette.
  Apesar de não contar com janelas laterais traseiras, a visão era melhor, contando com um aumento de 10% na área envidraçada do carro. Nas versões SS e RS, os limpadores de para-brisa ficavam escondidos sob o capô quando não estavam em uso. Por dentro o Camaro trazia um novo painel, acolchoado e de desenho envolvente, o retrovisor passava a ser instalado no para-brisa que trazia antena de rádio integrada, os bancos contavam com regulagem no apoio de cabeça como equipamento de série. A versão básica do Camaro vinha ainda com o motor seis cilindros em linha de 250 pol³ de apenas 155 cv, considerado fraco para o carro. Acima dele vinha o V8 307 de 5 litros que gerava 200 cv e substituía o 327. O RS não trazia mais a "frente cega" com as capas nos faróis que apresentavam problemas no uso, mas ainda assim trazia personalidade, para-choque dianteiros bipartido, uma grade dianteira mais pronunciada e lanterna ao lado dos faróis principais. O SS mantinha o para-choque tradicional e vinha com o clássico motor 350 com 255 ou 300 cv.
RS: para-choque bi-partido e lanternas ao lado dos faróis, pura esportividade.
  As mudanças chegavam também ao Z/28 que abandonava o 302 e passava a usar o 350 com tuchos mecânicos, carburador Holley Double Pumper, coletor de alumínio, escapamento dimensionado e taxa de compressão de 11:1, o desempenho ficava próximo ao do Corvette com motor LT-1, o motor do Z/28 desenvolvia 360 cv e levava o Camaro de 0 a 96 km/h em 6 segundos. Quem buscava por maior torque havia a opção pelo motor 396 de 6,5 litros com duas opções de potência 350 ou 375 cv, no pacote vinham ainda diferencial auto-blocante, carburador Rochester de corpo quádruplo, suspensão mais rígida conhecida como F-41, transmissão manual Muncie M20 de quatro velocidades ou automática Turbo Hydramatic 400 de 3 velocidades, seria a primeira vez que o Z/28 trazia essa opção. As rodas eram de 15 polegadas por 7 de largura com cinco raios e vinham com pneus Firestone Wide Oval série 60, a traseira trazia o mesmo aerofólio do Pontiac Firebird Trans Am sobre o código COPO 9796, o modelo comum vinha com um defletor simples que era oferecido opcionalmente.
Z/28, similar ao RS e com direito a aerofólio do Pontiac  Firebird Trans Am.
  Em 1971 algumas mudanças foram adotadas, novos emblemas e luzes de direção, banco de encosto alto sem encosto de cabeça regulável, volante de dois raios, para a infelicidade dos entusiastas o Camaro perdia 10% de sua potência, a taxa de compressão dos motores tiveram que ser diminuídas para o uso de gasolina sem adição de chumbo, o baque foi ainda maior pois a potência passava a ser medida liquida, aquela que chega as rodas e não mais bruta medida no motor. O Z/28 de 360 cv brutos, minguavam em 255 cv líquidos, o SS passava a 300 cv e, no grande 396 a potência liquida era de apenas 240 cv.
1971, lanterna dianteira maior e mudança nos emblemas.
  Em 1972, a grade dianteira ganhava um novo estilo conhecido como "caixa de ovos", as portas traziam porta objetos com estilo bolso e o volante vinha com quatro raios. Esse ano ficou marcado como o ultimo ano do SS com motor 350 ou 396, esse ultimo na verdade passava a ser um 402 pela adoção de pistões maiores. As vendas do Camaro neste ano foram limitadas por fatores como, a promoção do governo sobre segurança veicular, revindicações de órgãos ambientais por um controle de emissão de poluentes, seguradoras que cobravam preços absurdos e ainda uma recessão que afetou o mercado automotivo. Além de todos os problemas, houve uma greve de 174 dias e mais de 1000 unidades do Camaro tiveram que voltar para linha de produção para atender as normas de segurança que passaram a vigorar em 1973.
Grade "caixa de ovos" no modelo 1972.
  Uma reunião de 11 horas colocou em cheque o futuro do Camaro, mas felizmente a GM conseguiu com que o carro permanecesse em linha até o final de 1973 sem o reforço nos para-choques e a grade "boca de tubarão". O volante de quatro raios e o painel passavam a ser revestidos em vinil, o forro do teto passava a ser pré-moldado e a alavanca do cambio automático passava a ser convencional e não mais do tipo alça. O fim da versão SS mostrava a transição do Camaro que perdia a esportividade e o início de um acabamento mais luxuoso, nascia então o Type LT. O motor da nova versão era o V8 350 de apenas 145 cv, o modelo contava com direção assistida progressiva, rodas Rally de 7x17 polegadas, limpadores de para-brisa retrateis, instrumentação completa e retrovisores aerodinâmicos. Os equipamentos das versões RS e Z/28 podiam ainda ser combinados, o para-choque dianteira em ambas versões seguia bi-partido. O Z/28 não trazia mais a opção de cambio automático e ar condicionado, a potência era reduzida para 245 cv graças a adoção de válvula de recirculação dos gases, tuchos hidráulicos e carburador Rochester quadrajet montado em um coletor baixo em ferro fundido.
Type LT de 1973, fim do esportivo SS, início do Camaro "de luxo".
  Assim encerramos a primeira fase da segunda geração do Camaro, um carro com estilo, considerado por muitos o melhor Camaro, de fato ele tinha qualidades superiores as encontradas nos modelos de primeira geração, mas o seu brilho foi ofuscado pelas leis de segurança veicular, uma crise econômica e a preocupação com o meio ambiente, a primeira fase começou como um carro brilhante, esportivo por natureza e, terminou como um cupê mais luxuoso de potência modesta, mas mesmo assim não deixou de ser um Camaro, no nome e na essência.
Carburador Holley Double Pump similar ao do Z/28.

Um comentário:

Comentários ofensivos ou que não tenham relação com o assunto do blog não serão publicadas.

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...