quarta-feira, 1 de abril de 2015

Renault 5 Turbo


  Em janeiro de 1972, eram divulgadas as primeiras fotos do novo compacto da Renault, o R5 ganharia as ruas europeias apenas um mês depois, o projeto tomava conhecimento do projeto 122. O design ficou a cargo do estilista Michel Boué, com apenas 3,5 metros, uma ampla área envidraçada, contava com linhas retas e ângulos bem marcados, a grande novidade para o mundo automotivo eram os para-choques integrados à carroceria, algo padrão até os dias de hoje.
R5 em versão civil, um carro simpático e com design atual para sua época.
  A versão que daremos atenção é a Turbo, no Salão de Bruxelas em 1980, era apresentada a versão definitiva do R5 Turbo, era um carro imponente, a primeira vista chamava a atenção os pára-lamas dianteiros alargados e os traseiros ainda mais largos e com tomadas de ar logo após as portas, apendices plásticos fazendo o contorno das colunas dianteiras e emoldurando o teto, terminavam em um aerofólio discreto, mas crucial para o estilo e funcionalidade do carro. O peso total do carro era de 970 kg, teto, portas e porta traseira eram feitos em alumínio, capô, para-choques e pára-lamas eram de plástico reforçado com fibra-de-vidro.
Protótipo do Renault 5 Turbo de 1978, o carro seria lançado 2 anos depois.
  A dieta para a deixar o carro leve não foi a única medida tomada na versão, o motor de 1,4 litro derivado no R5 Alpine era equipado com um turbocompressor Garrett e injeção mecânica de combustível Bosch K-Jetronic, o que lhe rendia números de performance notáveis para a época, a potência era de 160 cv a 6.000 rpm e o torque máximo de 21,4 kgf.m era alcançado a 3.250 rpm, por causa do turbo, a taxa de compressão era de apenas 7:1, mas para ter noção do desempenho do carro, seu rendimento é similar ao Golf GTi de quarta geração com seu motor 1,8 litro turbo de 180 cv.
"Cofre" do motor central-traseiro.
  Os apêndices aerodinâmicos e a carroceria alargada na traseira não eram estéticos, o motor era instalado em posição central-traseira, a tração também ficava por conta do eixo traseiro no qual o motor se apoiava de forma parcial. O R5 Turbo foi o primeiro carro francês a usar o sobrealimentador, ainda na época que era pouco difundido, o pioneiro europeu era o BMW 2002. Os números de desempenho também eram surpreendentes para a época, 0 a 100 km/h em apenas 6,6 segundos e velocidade de 210 km/h, ele deixava até mesmo esportivos mais refinados para trás.
A bela traseira de um Turbo 2.
  O Renault 5 Turbo não é apenas uma adaptação em cima de um carro comum, mas um projeto muito bem executado pela Renault Sport, mas tinha um porém, o alto consumo de combustível, para amenizar o problema, o carro contava com 2 tanques que totalizavam 93 litros. Era temido nas rodovias e ágil nas estradas estreitas e sinuosas, algo raro de se encontrar, boa parte disso era graças aos pneus Michelin TRX no eixo dianteiro na medida 190/55 HR 340 e na traseira 220/55 VR 365, os últimos números correspondem ao diâmetro do aro, 13 polegadas na dianteira e 14 na traseira, os pneus envolviam belas rodas de alumínio que escondiam os freios a disco ventilados nas 4 rodas.
As belas rodas originais, 13 polegadas nas dianteiras e 14 polegadas nas traseiras.
  No interior, espaço para apenas 2 ocupantes. O pequeno volante trazia uma configuração interessante nos seus raios que eram vindos direto dos rallys, com formato em "L" e um circulo na parte horizontal, era um recurso utilizado na época para saber quando o carro estava em linha reta, No painel 8 instrumentos dispostos de forma moderna para época, no centro ficavam os 2 mostradores maiores: velocímetro e conta-giros, o grafismo dos instrumentos eram na cor vermelha. Os bancos eram praticamente conchas de competição com encosto alto e formato anatômico, além de segurarem muito bem o corpo dos ocupantes em curvas, porém para pessoas com mais de 1,85 metro eram obrigadas a dobrar os joelhos para guiar o Turbo. O preço alto , o dobro do R5 Alpine fez com que suas vendas fossem limitadas, sendo vendidas 1.682 unidades da série 1 até 1982 e, o total de 3.183 até o seu fim em 1986. O Renault 5 Turbo, é muito mais do que um carro de homologação para o Grupo B de Rally, mas talvez seja ele o hot hatch definitivo.
Bela imagem do interior, o painel com grafismo vermelho, os bancos concha e claro o volante com raios em formato de "L" invertido, a combinação de cores parece ter gosto duvidoso, mas era o gosto da época, motoristas com mais de 1,85 tinham que dobrar os joelhos.

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