segunda-feira, 7 de setembro de 2015

Educação viária, algo ignorado no Brasil.

 
Que o transito brasileiro é um dos mais violentos do mundo não é novidade, mas toda responsabilidade é exclusiva aos motoristas, seja ele amador ou profissional. O condutor de veículos é apenas um dos elementos do trânsito, o que é uma tremenda injustiça, apenas o habilitado paga por seus erros ou de terceiros no trânsito que é algo mais complexo do que parece e, poucos dão a devida atenção a esses detalhes, inclusive governantes que criam leis sem sentido, reduzem a velocidade baseados em motivos banais e, que criam faixas exclusivas sem o menor critério, muitas dessas inúteis e apenas atrapalham ainda mais o já caótico transito em cidades como São Paulo, essa cidade será o tema dessa postagem, já que é a cidade que tenho o maior contato e conhecer parte de suas vias.
  Podemos separar o transito em 3 elementos humanos passíveis de erro e, que teoricamente deveriam conhecer o básico para manter um nível mínimo de segurança, são eles: o pedestre, o ciclista e o condutor de veículos automotores, no entanto, apenas o último é passível de punição, pois é o único que teoricamente conhece o básico do CBT (Código Brasileiro de Trânsito), muitos apenas decoram com intuito de passar nos exames para obter a habilitação, outros nem ao menos conhecem, pois como sabemos, nem todos passam pelo processo para ter uma habilitação, compra-se de tudo no Brasil infelizmente, o pior é saber que pessoas que se aproveitam disso ainda têm a plena coragem de reclamar da corrupção, bom vamos manter o foco.
Farol de pedestres, muitas vezes ignorado, vida em risco.
  O pedestre, todos em algum momento temos que nos locomover a pé, seja em um local privado ou na rua, convivemos com veículos à nossa volta. O pedestre no Brasil não precisa ter a menor noção de como o transito funciona, ele saí de casa, circula pelas calçadas, até ai é tudo maravilhoso, mas quando é preciso atravessar uma rua, a maioria não sabe como agir. Em ruas onde não exste local apropriado para travessia, deve-se procurar um local onde possa ser visto por motoristas e ciclistas, nunca as esquinas, já que nesse ponto em específico a visibilidade é comprometida para o transeunte e ainda mais para o condutor, deve-se ter a noção que é preciso uma distância para que um veículo pare, quanto maior sua massa, maior o espaço necessário, quem está a pé e não é habilitado essa noção de espaço/tempo é praticamente nula e, isso é a causa de muitos atropelamentos. Outro erro básico do pedestre, é a travessia em local determinado, essa pode se dar de duas maneiras, faixa de pedestre sem semáforo, nesse caso a preferência é do pedestre, mas cabe a ele avaliar se o motorista que deveria estar atento e parar não está distraído ou vem em velocidade na qual impossibilita ele de parar, ao manter o contato visual com o condutor, deve-se iniciar a travessia da forma mais ágil possível. No segundo caso temos o semáforo junto a faixa de pedestres, nesse caso não se tem preferência, mesmo que o transito flua devagar, é preciso esperar o sinal no caso luminoso indicando a travessia, quando a luz vermelha começa a piscar, o correto é não atravessar e aguardar o próximo ciclo, afinal, o farol esta ali para regular a circulação de pedestres e automóveis de forma segura e cíclica, em locais onde o trafego de pedestres é menor, o semáforo destinado ao mesmo conta com um botão para solicitar a travessia, acreditem, eles funcionam!
  O ciclista, assim como o pedestre, a maioria não faz noção de como o transito funciona, a grande maioria nem mesmo usa os itens de segurança obrigatórios e, não são punidos por isso, é algo preocupante, pois além de dificultar a visibilidade dos bikers em períodos de pouca luminosidade e até mesmo agravam os ferimentos e aumentam o risco de morte em um eventual acidente. O ciclista deve sempre andar pelo lado direito da via e não deve provocar o motorista, deve também sinalizar suas intenções como a mudança de faixa, conversões e se possível quando vão parar, o ciclista deve respeitar a sinalização de trânsito, parar quando se faz necessário, placas de pare em cruzamentos, farol vermelho, afinal ele é um veículo de tração humana, o ciclista deve também respeitar o pedestre e dar a preferência quando preciso, não é porque não poluí que o ciclistas pode abdicar da leis de transito.
  Por fim o condutor, todo veículo a motor conta com uma pessoa habilitada no comando, teoricamente uma pessoa que foi instruída a se portar no transito e o único passível de punição. Muitos motoristas esquecem de seus deveres no trânsito, como por exemplo dar a preferência a pedestres quando necessário, nunca deixar de prestar atenção ao que acontece a sua volta e ignorar totalmente travessias de pedestres sem semáforo. Parte da falta de educação dos motoristas esta diretamente atrelada a falta de educação viária efetiva e, por seus conhecimentos serem cobrados apenas nas provas teórica e prática como forma de obtenção da carteira de habilitação, após isso quase tudo passa a ser ignorado e só é cumprido quando alguma lei prevê atuações financeiras e, a perdas de pontos na habilitação que podem levar a casação do direito de dirigir.
  O transito brasileiro não é violento exclusivamente pelas ações dos condutores, mas pela falta efetiva da educação viária, algo que deveria fazer parte da grade curricular já a partir do ensino básico, um pedestre que desde muito cedo sabe se portar no transito, será um bom motorista, motociclista ou ciclista, as regras e as leis tornam-se naturais quando ministradas desde muito cedo. Outra coisa que causa uma enorme indignação, governantes que tentam jogar os problemas apenas sobre um elemento que circula por nossas vias, em São Paulo por exemplo, os limites das marginais e de diversas vias vêm sendo diminuídos como forma de reduzir atropelamentos, mas o que faz um pedestre em plena Marginal Tiete ou Pinheiros? Ele vai atravessar o rio a nado? Vias expressas não são locais para pedestres e ciclistas e, qualquer acidente que leve a óbito não é de responsabilidade do motorista que não espera por veículos de tração humana ou pessoas naquela, já que nesse caso temos um fator surpresa.
Ciclofaixa na Avenida Bento Guelfi, qual a segurança de se pedalar no local?
  Outra medida desespera por parte da prefeitura de São Paulo, as ciclofaixas que inclusive já deixaram suas vítimas fatais pela falta de estudo em sua ampliação, um dos casos ocorreu no dia 16 de agosto na avenida Bento Guelfi em São Mateus na zona leste, um menino de 9 anos, andava de bicicleta quando foi atingido por uma van, detalhe a ciclofaixa no local fica entre as duas faixas de rolamento da avenida, os balizadores não oferecem proteção alguma a quem circula no local, aliás sinalização parece ser algo em falta no local. Outra vitima fatal, um idoso de 78 anos atropelado por um ciclista no canteiro da Rua Amaral Gurgel, embaixo do Minhocão, o local não oferece visibilidade para o ciclista e para o pedestre, uma vez que a ciclofaixa desvia das colunas do Elevado Costa e Silva, a responsabilidade dessas mortes é de quem? Deveria ser da prefeitura que não fez os estudo necessários, Outro acidente que posteriormente veio a se tornar uma fatalidade, foi o atropelamento de uma modelo na ciclovia da Avenida Faria Lima na região de Pinheiros, no caso a ciclista furou o farol vermelho e foi atingida por um ônibus que fazia uma conversão permitida, ela não usava capacete e teve traumatismo craniano, mais uma vítima da falta de educação viária.
Independente da sinalização especifica, o ciclista deve respeitar a sinalização viária como qualquer outro veículo.

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