sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Gol BX, nasce um futuro ícone.


  Na metade dos anos 70, a Volkswagen começou a ver o seu principal produto até então, o Fusca, a Chevrolet na época trazia a versão nacional do Opel Kadett, o Chevette e a Fiat a versão do 127, o 147. Ambos os concorrentes ganhavam no espaço interno e na mecânica mais moderna, o Chevette vinha com um motor de origem japonesa o 1.4 da Isuzu que trazia comando de válvulas no cabeçote acionado por correia dentada e fluxo cruzado. O pequeno Fiat, trazia dimensões compactas pela disposição transversal do motor, conjunto compacto, hoje usado em todo projeto de carro com tração dianteira.
Propaganda de lançamento do Gol em 1980, O carro que une razão e emoção.
  Apesar de fabricar o Passat no Brasil, a montadora alemã precisava de um modelo menor para substituir o Fusca, cogitou-se trazer o Polo ou o Golf, mas com as condições das nossas estradas e os hábitos de manutenção do motorista brasileiro, foi decido por um modelo único com as características como parte do projeto e não como adequação de um modelo existente. Após fracassos como o SP2 e a Variant II, a matriz alemã chegou a questionar o desenvolvimento de um novo carro, mas levado pelo sucesso da Brasilia, projeto nacional muito bem sucedido, em maio de 1976, era iniciado o projeto BX, o primeiro protótipo estava pronto em dezembro do ano seguinte.
Estudos de estilo do projeto BX, houve receio por parte da matriz, mas o projeto foi aprovado.
  O carro seguiria as linhas do Passat, considerado por muitos na época o anti-Volkswagen por trazer motor arrefecido a ar e tração dianteira. Linhas relas e angulosas, vidro traseiro inclinado e logicamente motor e tração na dianteira. O desenho da traseira não foi inspirado no termo que a VW usava na Alemanha para o Polo e o Golf, algo como "cortado a machado", a filial brasileira decidiu buscar inspiração no Scirocco, feito sobre a plataforma do Golf com carroceria feita pela Karmann-Ghia, o perfil de mais baixo e esguio do esportivo alemão tinha o inconveniente de reduzir o espaço no banco traseiro, mas o futuro carro nacional que se chamaria Angra a princípio, felizmente conservou as linhas mais esportivas. O nome Gol foi sugestão de um dos maiores jornalistas especializados no setor automotivo, nada menos que Nehemias Vassão, segundo ele o nome remetia ao ponto máximo do futebol, o Gol e, ainda mantinha a relação com os nomes de outros carros da marca que remetiam ao meio esportivo, Golf, Polo e Derby.
Volkswagen Scirocco, base para o estilo do Gol, a carroceria mais baixa e esguia que a do Golf foi escolhida para servir de inspiração ao modelo brasileiro.
  Ao contrário do Passat com motor de arrefecimento liquido instalado na longitudinal ou transversal como nos primos alemães, o Gol aparecia com o motor 1,3 litro refrigerado a ar vindo do Fusca, porém instalado na dianteira. Como o fluxo de ar naturalmente ajudaria no arrefecimento, a ventoinha foi redimensionada e, a potência era de 42 cv e o torque de 9,2 kgf.m. O conceito brasileiro, na verdade não era tão brasileiro assim, em 1969, a Volkswagen fazia um protótipo na Alemanha, onde um hatchback com motor dianteiro boxer arrefecido a ar, traseira curta e suspensão traseira por eixo de torção, todos elementos presentes no Gol, esse carro era o EA-276.
Gol com motor boxer de 1300 cilindradas, desempenho modesto, o estepe junto ao motor liberava mais espaço para bagagem.
  Em maio de 1980, chegava ao mercado o Gol na versão básica e na L que contava com mais equipamentos. O desenho era moderno e agradável com destaque para frente em formato de cunha, grande área envidraçada, faróis e lanternas pequenas com desenho simples e para-choques cromados com piscas integrados. O painel de instrumentos seguia as linhas usadas na Variant II. No banco traseiro o espaço era modesto, porém o porta-malas tinham bons 380 litros, o estepe era alojado no cofre junto ao motor, o que liberava espaço extra para bagagem, quando os bancos traseiros eram rebatidos, o volume de carga subia para 1200 litros. Cintos dianteiros de três pontos retráteis e rádio AM mono eram opcionais. A Volkswagen anunciava consumo de 15,8 km/l em velocidade de 80 km/h constantes, porém o desempenho não era algo empolgante.
Motor 1600, o estepe invertido foi uma solução encontrada por um concessionário paulista para manter o estepe junto ao motor, a Volkswagen gostou tanto da ideia aplicada no 1300 a álcool que adotou em sua linha um ano depois.
  A mecânica não condizia com a modernidade do carro, na verdade quase decretando seu fracasso, dentro do projeto, uma linha de engenheiros defendia a adoção de um motor arrefecido a ar de 1300 cilindradas, seria o motor do Passat reduzido, porém a linha de produção do propulsor andava quase no seu limite, o motor 1300 de carburação simples do Fusca foi o escolhido, a montadora apostava na economia como atrativo, porém, até mesmo a Brasilia contava como o 1600 de dupla carburação desde 1976. A propaganda de lançamento usa o slogan "O carro que une a razão e a emoção", algo que remetia ao seu predecessor que nas propagandas era "o  bom senso sobre rodas" seu desempenho ficava muito aquém ao do Chevette 1.4 e 147 1.3. Com seus 42 cv de potência, a aceleração até os 100 km/h era feita por volta dos 22 segundos e sua velocidade máxima era de 130 km/h, a situação só não era pior pois além do torque aparecer em baixas rotações, o carro era leve, pesando apenas 750 kg. A versão a álcool com dois carburadores não sanava o problema de falta de potência e com uma grande desvantagem, o estepe agora tomava espaço no compartimento de bagagens, uma solução foi encontrada por um concessionário da capital paulistana e posteriormente adotada pela VW, bastava montar o pneu de emergência sobre o carburador direito com a roda virada para baixo.
EA-276, um estudo de 1969 que unia as mesmas características mecânicas do Gol BX.
  A decepção do baixo desempenho era ainda maior pelo bom acerto dinâmico do carro, com suspensão dianteira do tipo McPherson com sub-chassi e barra estabilizadora opcional, o carro mostrava que tinha um conjunto para aguentar um motor maior sem prejudicar a dirigibilidade. A Volkswagen ágil de forma rápida e, já em fevereiro de 1981, o motor 1.6 ainda um boxer arrefecido a ar era adotado no Gol. Com dupla carburação o 1.6 entregava 51 cv e 10,5 kgf.m, o ruído ainda era alto, mas as respostas estavam mais rápidas, a aceleração de 0 a 100 km/h era feita em 15,4 segundos e a velocidade máxima passava para os 143 km/h, trabalhando em rotações mais baixas e exigindo menos trocas de marcha, o carro ficava mais econômico do que o anterior 1.3. O Gol 1.6 era oferecido nas versões S e LS que viam de série com estabilizador dianteiro, pneus radiais e servo-freio, itens opcionais até o momento, nessa época o estepe voltava para o cofre do motor de maneira oficial.
Bege com motor boxer e azul com motor arrefecido a liquido, curta convivência e algumas diferenças,
  O Gol manteve o motor boxer até 1984, quando já convivia com versões de arrefecimento liquido, o carro continuou praticamente sem mudanças, a chegada do motor com refrigeração liquida fica para próxima semana, mas temos aqui que falar da série especial presente na linha BX, o Gol Copa de 1982. Em alusão ao campeonato mundial de futebol realizado na Espanha que consagrou a Itália como tri-campeã mundial, o Gol Copa contava com diferencias como rodas de liga-leve, faróis de milha, conta-giros e detalhes que remetiam ao esporte como o adesivo traseiro com uma bola de futebol ao lado da plaqueta com o nome do carro e o mesmo objeto dando formato a manopla de cambio. Os pneus na versão eram radiais, havia ainda um adesivo com a palavra Copa no vidro traseiro, a cor era uma tonalidade clara de azul, no total foram vendidas 3 mil unidade, uma marca boa para uma série especial na época. Atualmente o Gol BX esta valorizado como todo Volkswagen a ar, são raros os carros em bom estado e aptos a receberem placa preta.
Gol Copa 1982, tom azulado, rodas de liga-leve e faróis de milha eram algumas das características da série especial em alusão a copa da Espanha que consagrou a Itália tri-campeã mundial.

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