quarta-feira, 16 de setembro de 2015

Guia dos desesperados: analisando o exterior de um usado.

  Após olhar centenas de anúncios na internet, você acaba separando um ou mais para conferir de perto e possivelmente fechar o negócio, é aqui que começa a parte onde muitas vezes o emocional toma conta da situação e deixamos alguns ou muitos detalhes passarem despercebidos. Chegamos até a loja ou no local marcado com o vendedor particular, ver o possível novo carro mexe com nossas emoções, principalmente se a compra envolver a realização de uma vontade ou, for a troca por um carro melhor e mais novo.
Trincas, bolhas e descascados em peças plásticas pintadas, evidências de serviço ou reparo mal executado.
  Não deixe se ofuscar pelo brilho da pintura, peça para observar o carro em um local bem iluminado, preferencialmente em local com iluminação natural, jamais saia para olhar um carro durante a noite ou dentro de uma loja mal iluminada, a falta de luz pode mascarar defeitos na pintura e reparos de funilaria mal feitos. Em ambiente bem iluminado busque diferença de tonalidade entre as peças ou partes com mais ou menos brilho que as demais, passe a mão e sinta se há diferentes texturas na peça ou na parte onde a tonalidade for diferente, isso demonstra uma repintura feita sem critério ou sem finalização. Nas partes plásticas quando pintadas verifique se não há descascados ou bolhas, isso pode indicar pintura ou reparo sem aplicação de um promotor de aderência para plásticos, a pintura não atinge a resistência esperado, o que em breve levará a um serviço de repintura.
Avalie o carro em local bem iluminado, preferencialmente sob a luz natural, locais escuros podem esconder a real situação da pintura.
  Riscos são inevitáveis, mas existem diferentes tipos de risco e de pintura, carros sólidos podem usar tinta de poliuretano que dispensa a camada de verniz, nesse caso um risco superficial mostrara basicamente uma diferença na tonalidade, sendo facilmente reparado com um polimento, outro tipo de tinta utilizado em carros sólidos, metálicos e perolizados, é a que usa poliéster como componente principal, essa pintura possui uma camada extra, o verniz, nesse caso o risco pode atingir apenas o verniz, a correção é feita através do polimento, porém seguidos polimentos podem tirar a camada protetora e promotora de brilho, tendo que levar a peça a repintura, mais cara, pois são mais etapas em relação ao poliuretano, quando o risco atinge a camada de tinta, é possível fazer micro-reparos na pintura seguido do polimento, em ambas as bases, existe o primer, um fundo geralmente cinza claro ou esverdeado, resistente, tem como função proteger as chapas de aço contra a corrosão, quando o risco atinge ou ultrapassa essa camada, não há muito o que fazer a não uma repintura completa, já que reparos ficarão muito em evidência.
Risco não é tudo igual, dependendo do tipo de pintura e profundidade apenas a repinturas resolve.
  Outro ponto que podemos observar nesse momento é o alinhamento entre as peças da carroceria, os vãos devem ser sempre uniformes, espaços irregulares, muito próximos ou separados indicam possíveis grandes ou pequenas colisões que podem ou não ter afetado alguma estrutura importante da qual dificilmente podemos observar sem auxilio profissional outros itens que denunciam reparos maus feitos ou envolvimento em acidentes são os faróis e lanternas, marcas diferentes de um conjunto ou item não original é um grande indício de um carro não original e possivelmente com problemas graves.
Alinhamento entre vãos e peças da carroceria denunciam pequenas ou grandes colisões, em alguns casos o defeito é de fábrica.
  Vidros riscados podem indicar mal funcionamento no mecanismo que faz o acionamento, seja manual ou elétrico, vidros riscados não apenas prejudicam a visibilidade, mas deixam um aspecto estético de carro velho ou mal cuidado. Manchas esbranquiçadas no teto e no capô podem indicar um carro que não ficava em garagem coberta, muitas vezes o polimento resolve, mancha irregulares podem indicar alguma ação química causada por seiva de árvores e fezes de pássaros, a maioria é reversível, desconfie de bolhas sob a pintura, elas escondem ferrugem ou reparos com massa executado de maneira errada ou possíveis falhas na pintura.
Fezes de pássaros e seiva de árvores podem ser possíveis causas de manchas na pintura.
  Na parte inferior, começando pela altura das portas, é possível observar pequenos amassadinhos provocados por portas de outros carros em estacionamentos, algumas pessoas não gostam desses detalhes, mas é algo praticamente inevitável atualmente. Rodas ou calotas raladas podem indicar que o dono era daqueles que colocava no meio fio, procure por bolas nos pneus ou marcas nas laterais dos pneus onde são gravados os dados, nos para-choques é sempre bom conferir sua firmeza e, se existem riscos na parte inferior, carros baixos terão marcas de arranhões, mas em carros altos ou 4x4 podem indicar uso em trilhas, falta de cuidado e até um possível rebaixamento.
Rodas arranhadas, questão visual, mas pode servir como argumento na hora da negociação.
  A parte externa é importante em um carro, mas ela esta mais ligada no ponto de vista estético, algumas pessoas por exemplo gostam de tirar os emblemas de identificação, isso pode não afetar o valor do carro para algumas pessoas, para  outras decreta a desistência por conta de uma certa perca na originalidade, mas o mercado esta aberto para todos os públicos e produtos, se a parte visual agrada, ainda não é hora de assinar o cheque, é apenas o começo de uma série de verificações que abordaremos nas próximas semanas.
A retirada dos emblemas pode ser estética ou indicar um possível acidente, pessoas que presam pela originalidade perdem o interesse ao ver traseiras "limpas".

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