segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A fraude da Volkswagen, seria o carro o real vilão?

 
Muito se falou sobre a fraude nos motores a diesel da Volkswagen, mais uma vez o assunto será abordado, mas usando-se de muitos fatos que surgiram com o tempo e, de uma forma a resumir a história e claro, colocando sempre a visão de um entusiasta como parâmetro, afinal, meios de comunicação, blogs automotivos famosos e até mesmo o pessoal que, como diz o Bob Sharp demoniza o automóvel já expressaram seus pontos de vista, não existe uma forma simplista de abordar o caso, mas para muitos esse escândalo foi muito oportuno como meio de denigrir a imagem do carro como o principal responsável pela poluição e, o principal agente causador do aquecimento global, na verdade não é nada disso, o meio de transporte individual é uma conquista da humanidade e, traz muito mais benefícios do que malefícios, essa ultima a única parte vista por muitos ativistas que insistem em culpar os carros por algo que ele não é o único culpado.
  Voltamos para o período entre 2004 e 2007, o Governo dos Estados Unidos aumentam o rigor quanto a emissão de óxido de nitrogênio, principal gás resultante da combustão do diesel, as autoridades reconheceram que o índice exigido seria um grande desafio para ser cumprido pelas montadoras. No ano de 2009, a Volkswagen apresenta sua família de motores EA 189, era divulgado pela montadora alemã que esses motores eram limpos e, dispensavam o uso do aditivo a base de ureia, conhecido no Brasil como Arla 32, responsável pela redução dos óxidos nitrosos resultantes da combustão, recurso usado por outras montadoras e, em todos os caminhões modernos.
  Em 2013, o ICCT (International Council for Clear Transportation) em conjunto com a Universidade da Virginia Ocidental, testaram os carros movidos a diesel vendidos no mercado norte americano, o objetivo era mostrar que as normas estadunidenses mais rígidas eram mais eficientes do que as aplicadas no mercado europeu. Três modelos foram escolhidos para testes dinâmicos, onde aparelhos foram instalados e, os carros rodam durante a coleta dos dados, eram eles da Volkswagen um Jetta 2012 e um Passat 2013 e, um BMW X5. Os 2 carros da montadora de Wolfsburg surpreenderam de forma negativa durante os testes, o Jetta emitiu 35 vezes mais óxido de nitrogênio do que o permitido, enquanto o Passat emitiu 20 vezes mais. Drew Kodjak, vice-diretor do ICTT disse a imprensa que esperava resultados melhores, porém foi surpreendido de forma negativa. Logo as autoridades ambientais da Califórnio, estado conhecido pela suas rígidas leis ambientais deram início a investigações paralelas.
  Com a entrada da Agência Ambiental dos Estados Unidos no caso, em setembro, o caso acabou vindo a tona e chocando todo mundo que acompanha o mundo automotivo, no mesmo ano em que a Volkswagen se tornaria a maior montadora a nível global, ela via-se como o centro de um escândalo de proporções nunca antes vistas em seus quase 80 anos de história. Estima-se que 11 milhões de veículos do grupo tenham o software que frauda a leitura da emissão em testes estáticos.
  O teste de emissões estáticos são feitos com o veículo sobre rolos, assim como em um dinamômetro, os sensores presentes no carro, como sensor de rotação, ABS, controle de tração e estabilidade, ao repassarem para a central do motor os dados em parâmetros onde não havia mudança de trajetória e a velocidade e a aceleração são constantes, com essas informações o software do carro compreende que o veículo esta passando por um controle de emissões e, muda a estratégia de funcionamento do motor, a potência disponibilizada é menor, a mistura de ar/combustível é empobrecida, injeta-se menos combustível para a mesma quantidade de ar, assim atendendo as normas de emissões. Com o carro andando, o sistema é desabilitado, consequentemente a emissão de poluentes passa a ser maior do que a permitida por lei.
Desespero de Martin Winterkorn.
  No dia 18 de setembro, enfim, o governo dos Estados Unidos acusou a Volkswagen de burlar os dados de emissões de poluentes do país e, abriu processo criminal contra a montadora, segundo a EPA (Agência Ambiental Americana), 482 mil veículos da marca e da Audi, que pertence ao mesmo grupo, os veículos foram fabricados entre o ano de 2009 e 2015. Dois dias após o escândalo vir a tona, o então presidente-executivo da empresa Martin Winterkorn pede desculpas pela prática, alegando que a Volkswagen não tolera violação de leis e normas. O CEO da empresa Michael Horn afirmou a desonestidade da empresa durante o lançamento do novo Passat no mercado americano no dia 21 em Nova York.
  A empresa admitiu no dia 22 de setembro, que o dispositivo que frauda os testes de emissões também havia sido usado em outros países e, que mais de 11 milhões de veículos a diesel de marcas que pertencem ao grupo Volkswagen em todo mundo. Não foram divulgados os países nem os modelos afetados, países como a França e Reino Unido diz que avaliaram os carros que potencialmente possam ter o dispositivo instalado de maneira aleatória, afim de confirmar o problema. Poucos dias após o escândalo ter se tornado público, no dia 23, Winterkorn renuncia o cargo e abandona a empresa, segundo o Conselho da Volkswagen, ele não tinha conhecimento da manipulação no controle de emissões. A montadora recentemente diz que vai reparar os carros envolvidos, mas certamente sua confiança pelo consumidor foi seriamente abalada, a Fiat, chegou a oferecer condições especiais para quem trocasse um carro da marca alemã por um seu na Itália, afinal, segundo a montadora italiana seus carros não poluem como os alemães.
  Atualmente as investigações recaem também sobre outras montadoras, mas o tempo irá dizer quais aderiram a prática controversa. Tal escândalo coloca ainda mais em cheque a manutenção da comercialização dos carros de passeio movidos a diesel no mercado europeu, algo que já vem sendo discutido há algum tempo devido a emissão de óxidos de nitrogênio resultante da queima do combustível. Uma boa alternativa ao diesel seria o uso de óleos vegetais, poucas alterações nos motores possibilitam que o combustível mais limpo seja usado e, com grandes benefícios, menores emissões de poluente e, mantendo o atrativo desse tipo de motor que é o baixo consumo.
  Existe uma grande caça as bruxas contra os carros atualmente, alguns dados são distorcidos dizendo que o carro é responsável por quase 90% da poluição mundial, mas sabemos que o transporte internacional é o real vilão, navios são movidos a diesel e, consomem uma quantidade descomunal de combustível, os aviões também poluem muito como é de conhecimento de todos. o automóvel pode ter grande parte nessa parcela, mas decerto não é o maior responsável. Motos poluem em média 4 vezes mais, mas elas não participam de rodízios como o de São Paulo, o transporte sobre trilhos pode usar diesel como combustível e, os elétricos nem sempre usam energia proveniente de uma fonte limpa. Muitas vezes migrar de uma matriz energética para outra apenas muda um mesmo problema de lugar, mas não combate o mesmo de maneira efetiva.

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