quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Carros defasados e o saudosismo exagerado.

 
Muito se fala sobre os carros antigos serem melhores do que os atuais, mas quais são os motivos para odiar tanto a evolução e querer abrir uma brecha para se viver no passado, o saudosismo muitas vezes exagerado, a repetição de frases prontas e mais do que batidas. Mas diversas perguntas vêm a cabeça, o carro evoluiu e perdeu a graça, ou as pessoas simplesmente passaram a criticar tudo que envolve o desenvolvimento quando o mesmo sai da área das comunicações. No Brasil deveríamos ser ávidos por novidades automotivas, afinal após 30 anos de portos fechados, novidades deveriam ser impactantes.
  Quando a injeção eletrônica chegou ao país em 1988 com o Gol GTI, o primeiro sistema bem sucedido era lançado em 1974, o Bosch LE-Jetronic, o mesmo sistema que equiparia a versão esportiva do Gol mais de uma década adiante. Quando a alimentação eletrônica chegou ao Brasil com seu sistema de processamento analógico deixou todos interessados pela novidade, porém logo começaram a aparecer os problemas e, como se não houvesse explicação os carros paravam de funcionar de uma hora para outra, problema que foi solucionado com a melhoria na blindagem eletromagnética da central de comando. Esse problema somado ao complexo sistema de regulagem fez com que o velho carburador prevalesse sobre o sistema eletrônico, inclusive existiram donos de carros nacionais equipados com LE-Jetronic que chegaram a trocar o sistema por carburadores, após o Gol, Santana e Monza também recebiam o sistema de injeção eram as versões EX (Executive) e EF, respectivamente.
  No início dos anos 90, o restabelecimento das importações fez chegar ao país os mais diversos tipos de veículos vindos de toda parte do mundo, desde gigantes norte americanos com seus motores V6 e V8, passando pelos coreanos então de qualidade duvidosa, consagrados europeus, honestos carros japoneses e até mesmo os ultrapassados Ladas. Não era apenas a quantidade de carros equipados com injeção eletrônica, cambio automático e sistemas eletrônicos que espantavam os brasileiros, mas o design externo e o acabamento eram completamente diferentes do que nosso mercado tinha a oferecer.
  Não demorou muito para a industria nacional reagir, projetos foram adiantados, carros foram nacionalizados a pressa e modelos antigos passavam por extensas modificações visuais, caso do Santana que mesmo após um facelift agressivo parecia antigo diante do seu parente alemão o Passat B4, na linha Chevrolet, o Omega lançado em 1986 na Europa, chegava ao Brasil em 1992, um ano antes do seu fim de produção em seu mercado de origem, ele substituía o veterano Opala, mas não era tão uma novidade quando comparado aos importados que ainda ofereciam mais do que ele.
  Com a chegada do Corsa, um projeto europeu que chegou rapidamente ao país, a Volkswagen se viu ameaçada e reformulou seu carro chefe o Gol, a Ford trazia da Espanha na mesma época o Fiesta e a Fiat apresentava em 1996, o Palio que deveria substituir o Uno algo que jamais aconteceu. Com o passar do tempo os carros novos nacionais todos com com injeção eletrônica, em sua maioria mono-ponto de processamento digital começavam a passar por suas primeiras manutenções corretivas, foi onde a novidade passou a ser questionada por muitos. A grande maioria dos mecânicos da época não estava preparada para dar manutenção em carros com sistema eletrônico de alimentação, mesmo que sistemas simples, era algo muito mais complexo que o carburador.
  Carros com mecânicas mais complexas também chegaram ao mercado, a grande maioria em pouco tempo acabou ganhando a fama de bomba, acostumados com mecânicas antigas e simples, brasileiros passaram a condenar tudo que fuja do tradicional. Com o passar dos anos as antigas montadoras e as que foram se instalando no Brasil foram cada vez mais simplificando seus projetos e, ficando com modelos defasados com relação ao restante do mundo, com isso hoje ouvimos aquela velha frase: "Os carros antigos eram melhores...". Esse saudosismo não tem fundamento ao mesmo tempo que todos pedem por carros alinhados com projetos mundiais, que quando chegam são tratados por bombas por terem mecânica complexa, design estranho por fugir do comum e até de lixo por ter zonas de deformação programa, carros atuais são rígidos na estrutura, muitos antigos apesar da lataria parruda contam com estruturas extremamente frágeis. Os carros mudaram, as tecnologias evoluíram, mas quando o assunto é carro, a mente do brasileiro em sua maioria permanece lá atrás nos anos 60, 70 e 80. A tecnologia só barateia quando é difundida, quando tratada com descaço, continuaremos sendo um país atrasado quando comparado ao resto do mundo.

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