segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Produtos milagrosos, o lucro dos espertos.

  De tempos em tempos, surge no mercado automotivo algo revolucionário, produtos que fazem todos se perguntarem como isso não foi inventado antes e, se é tão bom, por quê as montadoras não adotam esses milagrosos produtos a seus carros, já que geralmente é algo muito simples com um custo baixo e que não exige praticamente nenhuma alteração no projeto do veículo? É simples, não existe milagre, em mecânica não existe apenas ganhos, mas sim perdas a cada pequeno incremento de potência. Produtos milagrosos sempre prometem um mar de benefícios, mas quase sempre faltam testes que compravam sua eficiência ou mesmo seu funcionamento.
Um dos tantos modelos que prometem melhor consumo por meio magnético, o alinhador de moléculas.
  Muitos desses produtos milagrosos são ligados a economia de combustível e bastam ser instalados nas mangueiras de combustível, trata-se de uma simples caixa plástica com dois imãs em seu interior, a promessa é alinhar as moléculas de combustível graças ao campo magnético, melhorando a queima e reduzindo o consumo, tão real quanto papai-noel. Outro que promete o mesmo feito é ainda mais ridículo, basta ligar um pequeno aparelho na tomada 12 volts ou acendedor de cigarros e pronto, a economia prometida é de 20% a 30%, mas como um resistor, um capacitor e um led influenciam no consumo? Se ele precisa de energia, logo consome mais combustível ou não altera em nada o consumo, conversa para boi dormir.
Economizador eletrônico, serve apenas para acender um led azul ao ser plugado na tomada de 12v.
  Ainda quando falamos de economia de combustível, temos os polêmicos aditivos para lubrificante e combustível, alguns chamados de redutores de atrito, mas como é adicionado ao óleo é sim um aditivo, já que tem como função melhorar alguma característica ou sanar algum efeito indesejado. Geralmente são produtos milagrosos que não possuem testes científicos que comprovem sua eficiência, nem mesmo são testados pela comunidade dos engenheiros mecânicos, inclusive, a Honda, revoga a garantia quando comprovado algo adicionado pelo proprietário no tanque ou no cárter.
Aditivos, muitas promessas e nenhuma comprovação técnica.
  Mas talvez o campeão da cara de pau seja o gerador de hidrogênio, pode até gerar alguma quantidade miníma de gás, mas quem tem o ensino médio completo, sabe que o processo de eletrolise, separação das moléculas de oxigênio do hidrogênio que juntos formam a água, demanda muita energia, ou seja, você exige mais do motor, logo estará gastando combustível e não gerando economia. O sistema é tão simples que me admira nenhuma montadora resolver dessa forma o consumo e as emissões de poluentes, os criadores, fabricantes e vendedores desses kits, sempre alegam que é conspiração dos sheiks dos petróleo e dos illuminatis que não querem perder o domínio sobre os meios energéticos, então tá, vivemos de uma enorme conspiração mesmo.
Gerador de hidrogênio, tem quem acredite.
  Se o assunto for aumento de potência, existem algumas gambiarras bem interessantes, como por exemplo um miniventilador chamado de turbilhonador, onde uma hélice que gira conforme a passagem de ar promete aumentar o volume de ar admitido aumentando a potência, outro modelo é um cilindro com as pontas tortas que promete o mesmo resultado, porém, não existe aumento do volume de ar admitido pelo motor, mas sim o oposto, uma restrição na passagem do ar. Junto a esse dispositivo, existe o turbo elétrico, não, não é aquele que as marcas vêm desenvolvendo e testando incessantemente, esse surgiu antes e tem a promessa de gerar potência sem aumentar o consumo, o mesmo parece mais um compressor (carcaça fria) feita em plástico, com um motor elétrico, deve ser instalado no lugar do filtro original, porém, nada é tão simples e com custo tão atraente quando falamos de preparação.
Como algo que restringe o ar admitido consegue aumentar a potencia?
  O setor automotivo é cheio de pegadinha, muito proprietário de carro mal informado acaba alimentando esse mercado da enganação automotiva. Quando falamos em mecânica, não sou engenheiro, falamos de equilibrio, quando melhoramos um ponto, pioramos outro na mesma proporção, os motores levam anos para serem desenvolvidos, milhões de cálculos são feitos e testes quase que interminaveis buscam extrair a melhor performance com o melhor consumo, não é algo feito por alguém na China ou no fundo de quintal que ira fazer o trabalho de uma equipe ser questionado, o alerta esta por ai, não apenas nesse blog, mas geralmente os espertos são os donos da razão.

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