quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Land Rover Defender, após 68 anos a lenda viva se transforma em mito

 
Serie I ainda com faróis atrás da grade.
No mesmo dia em que a primeira patente de um automóvel completava 130 anos, um utilitário cheio de histórias chegava ao fim da linha de produção após 68 anos. Quando foi lançado no ano de 1948, o Defender já trazia as linhas básicas que o acompanhariam até o final de sua produção. Sendo um projeto do pós guerra, onde o aço era escasso a carroceria era totalmente fabricada em alumínio, a tração nas quatro rodas contava com um sistema simples para o acoplamento das rodas dianteiras nos Série 1, um sistema de argolas acionados por um pequeno pedal onde era acionado um sistema de roda livre no eixo dianteiro que servia também como um bloqueio de diferencial. Como o Defender deveria ser um carro para diversos usos, havia uma tomada de força na traseira do veículo, o que permitia o uso de maquinas agrícolas como em um trator.
  O Série 1 foi fabricado entre os anos de 1948 e 1958, contava no início apenas com a carroceria curta de portas, disponível com capota rígida em alumínio como o restante da carroceria ou em lona, com o passar dos tempos, foram introduzidas a carroceria de 4 portas com chassi longo e a picape de 2 portas. As principais características da primeira série eram os para-lamas salientes em relação a grade do radiador, sendo que até 1950, o faróis ficavam por trás da grade, após isso passaram a ficar por cima. Existiam 3 opções de motorização, sendo duas a gasolina, uma de 1.6 litro e uma de 2 litros, a outra era a diesel 2.0 que foi adicionada a linha em 1956.
Modelo Serie II, no Serie IIA os faróis ficavam no para-lamas abaixo da lanterna e das luzes de direção.
  A segunda série do Land Rover surgiu em 1958, o design apesar de guardar muito do modelo anterior, era mais sofisticado, a linha de cintura bem marcada trouxe maior robustez e beleza ao veículo, essa reforma visual foi obra do designer chefe da marca David Bahe, essas linhas inclusive com exceção do teto, esteve presente nos Defenders até seu último dia de produção, outra diferença, eram as luzes de direção posicionadas agora no para-lamas. A distância entre eixos, haviam duas opções eram denominadas BES para o chassi curto de 88 polegadas e LWB para o longo que contava com 109 polegadas, sendo esse último destinado a versão wagon que poderia ser configurada com 10 lugares, o padrão, ou 12 lugares, sendo classificado conforme a lei britânica como um ônibus, consequentemente pagando menos imposto. A Séria II teve ainda as variantes A, essa introduzida em 1961 e que permaneceu por 10 anos no mercado, os faróis assim como todo conjunto ótico estavam agora nos para-lamas, a série IIA é considerada entre os entusiastas da marca como o mais resistente. O Série IIA contou ainda com uma versão de cabine avançada, o IIA FC que era destinado a serviços públicos, assim como o IIB com capacidade de carga de uma tonelada, ante as 1,5 toneladas do melo FC convencional.
Dedicado a serviço pesado, o Serie IIA FC contava com cabine avançada.
  A terceira série foi o ponto inicial para o Defender, ainda com os para-lamas salientes, os materiais utilizados na fabricação, sobre tudo no interior estavam mais nobres, a exemplo do painel que agora contava com uma cobertura de plástico moldado e não apenas mais na chapa como era nos modelos anteriores. A evolução dos motores, fez com que o sistema de transmissão fosse revisado, já que o incremento da potência e do torque não era mais suportado pelos eixos projetados no início do projeto. Entre os anos de 1979 e 1985, era possível ter um série 3 com motor V8, o mesmo utilizado no Range Rover da época, conhecido como Stage 1, deu o ponta pé inicial para a evolução do modelo, tão necessária no mercado automotivo, sando início assim ao Defender 90 e 110.
Picape Serie III quase a última atualização antes do Defender.
  No início ele não se chamava defender, mas Land Rover 90, 110 ou 127, e os números surgiam de acordo com sua carroceria ou vocação, o 90 era o carro de chassi curto e 2 portas com carroceria rígida ou com teto de lona, o 110 por sua vez, era a versão longa de 4 portas, tanto o 90 quanto 0 110 poderiam ainda ter a configuração van com 3 portas e painéis laterais fechados. O 127 por sua vez foi desenvolvido para o uso militar e especializado, como companhias de energia elétrica por exemplo, era o modelo picape que podia transportar 1,5 tonelas na caçamba, podendo contar com cabine simples ou dupla, chassi curto ou comprido. Além da dianteira completamente nova, agora grade e para-lamas estavam no mesmo nível com os faróis embutidos em molduras plásticas, o Land Rover estava melhor no conforto, graças a adoção de molas helicoidais, o sistema de tração também era melhorado, utilizando o mesmo do Range Rover com caixa de transferência de 2 velocidades e diferencial central, o para-brisas mais alto melhorava a visibilidade e, uma nova linha de motores mais modernos melhoravam sua capacidade tanto em estradas quanto fora delas.
Defender Van, disponível nas 2 versões de chassi sempre com 3 portas.
Defender 130, a picape cabine dupla.
  Em 1990, veio enfim o batismo como Defender, ainda seguindo a linha de evolução constante, ele passou sempre por pequenas alterações, sendo a mais profunda delas na dianteira com a modificação constante da grade, sobretudo na versão SVX que comemorava os 60 anos do modelo em 2008, era um modelo mais luxuosos contando com itens como bancos Recaro e navegador integrado ao painel. Entre 1999 e 2005, o Defender foi montado no Brasil, porém com pequeno volume de vendas, inclusive as forças policiais paulistas usavam o modelo como viatura. Utilizado por centenas de exércitos pelo mundo, também temos o modelo integrando a frota de nossas forças armadas, por usa robustez e valentia perante ao uso pesado, ele tem vocação para tal função.
  Como já havia sido avisado anteriormente, no último dia 29 de janeiro, o Defender chegou ao fim de sua viada após 68 anos de bons serviços prestados e uma enorme evolução sem perder sua essência. Nesse dia anunciado, a fabrica de Solihull, mesmo local onde o primeiro Serie I foi fabricado, 700 pessoas pessoas entre funcionários e ex-funcionários se reuniram no final da linha de montagem para dar adeus a última unidade produzida, uma lenda chegou ao fim de sua vida, mas agora com suas mais de 2 milhões de unidades fabricadas, torna-se um mito que sempre será lembrado com muita saudade e alegria pelos apaixonados por carros.
O último Defender a sair da linha de montagem, recebido por 700 pessoas, entre elas funcionários e ex-funcionários da linha de montagem de Solihull.

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